segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Tocando o barco...


 E la nave va...

Sobre amigos e forças

O que me dá alegria.
É saber que ao final sempre contamos é com os amigos.
Aqueles de fé, que dão força, marcam presença.
Não aqueles oportunos, de interesses efêmeros que se esvaem como a fumaça no vento.
Aí me vem  a lembrança  uma dor guardada, recorrente; de não poder estar presente e me despedir como gostaria de um grande amigo, um irmão que partiu mais cedo. Carrego esse vazio, essa ausência de adeus...
Aconteceu há alguns anos, cheguei a ir à ante sala do quarto do hospital mas, por covardia ou medo e sentindo o peso da dor no rosto de  seus familiares, fugi chorando por dentro, carregando para o meu sempre sentimentos destroçados que explodem na memória.
E eu queria falar sobre festas, momentos feitos de arranjos que propiciam encontros e desencontros. Da alegria de chegar e não das tristezas das partidas.
Mas é aquela coisa que puxa  a outra como um longo macarrão sendo sugado boca adentro sem parar.
Poder confiar ao amigo um segredo, compartilhar um anseio, um sonho. Ou só em estar junto, lembrando um tempo que foi bom, mas passou.
Como não recordar um gesto de apoio como foi àquele marcante acontecido nos idos de 70...
Voltava de Angra com Marcio a bordo do Pacato  numa lestada que vencíamos velejando bem com a grande  e genoa em cima. Dado momento foi necessário fazer algo no mastro e lá fui eu entregando o leme ao amigo que sabia pouco das manhas de velejar. A tarefa era simples, o Pacato era bom marinheiro,  equilibrado,  fácil de levar, mas uma batida na onda de mau jeito quase fez com que aquilo que era um retorno tranqüilo se transformasse em tragédia.
Foi nessa hora que apareceu a mão do amigo que num reflexo, um impulso salvador, deu firmeza ao cabo de aço do guarda mancebo onde eu, desequilibrado, procurava me apoiar com a batata da perna, quase caindo borda afora pelo tranco acontecido.
Providencial, instintiva, salvadora, tanto que guardo na memória como símbolo do que uma mão  pode fazer na busca de um objetivo comum, queríamos chegar juntos, sem sufocos ao nosso porto seguro.
Assim as historias acontecem e se reinventam de outras formas.
A mais recente que aconteceu foi quando resolvemos buscar uma ajuda de solução para o clube onde freqüento, a casa onde repousam minhas naves que me levam as aventuras no mar.
Por freqüentar, procuro o melhor para ele.  Natural, para que fique agradável minha permanência no local onde reúnem-se amigos que suponho vivem a mesma questão. Afinal lá se constroem encontros, fortalecem-se laços,  ensina-se o que se tem e muito se aprende. É o local escolhido, onde fora da luta rotineira, procuramos para relaxar.
Em busca do seu fortalecimento como instituição uma solução óbvia se apresentou, explorar a sua ociosidade noturna nos espaços disponíveis para gerar recursos, empreitar  festas! Promover encontros!!
Aconteceu a 1ª, com a infra básica em teste, funcionou simples e objetiva mas longe do idealizado  pois deu para contar nos dedos de uma mão os sócios do clube, em tese os maiores interessados para que o evento desse certo.
Ainda bem que os amigos de “fora” vieram e na saída disseram:
Contem conosco na próxima.
Daí, acreditando nessa estrela guia, combinamos as próximas:  será sempre no 1º sábado do mês, a começar por outubro.