Essa é a estória de
algumas das escolhas de bordos, dos nomes que traçam destinos.
De Sudukas, Pacatos, e Rompemundos sonhados.
E pelo acaso maior
determinado, Sophos por conseqüência.
Tudo começou com o
Lala um 23 pés de madeira feito em 1962 na
Ilha da Conceição, desenho estranho, que Mario meu pai, aviador experiente, mas neófito no mar, em busca de novos horizontes,
comprou em sociedade com o amigo Emilio. Surpreendeu à mim, ao Nando e a caçula de três anos Lala,
habituados que estávamos as coisas da serra, do sitio no Vale Florido em
Petrópolis. Num repente, um novo mundo bateu na nossa porta.
Ou foi outra porta
que se abriu... Só sei que entrei e joguei fora a chave. Mergulhei profundo onde aprendi a
respirar para não mais sair do meio.
No Lala
praticávamos nos fins de semana o aprendizado que tínhamos a bordo do Ligthning
do professor de vela do Iate, o argentino Mario Van.
O 1º perrengue
aconteceu lógico na 1ª travessia, iniciando um aprendizado de duras penas que
sigo Sophrendo. O pai chegou de repente
com a noticia- missão: havia comprado o barco e tínhamos que ir buscá-lo em
Niterói. Ainda sem nome e sem qualquer expertise no assunto partimos; eu, Nando
meu irmão, nosso pai e o sócio, para a Grande Aventura, de vela, sabíamos
acende-las mas confiando no motor, partimos.
Tudo foi bem até
que na altura da Gloria, (ainda não havia a Marina), o motor deu pau ou diesel acabou, não me lembro bem. Lembro que
chegamos a reboque aprendendo as 1ªs lições; da solidariedade no mar, onde
estamos sós, mas sempre bem acompanhados, pelo espírito que agrega os
verdadeiros marinheiros, de não sair despreparado posto que o mar não perdoa
erros e desatinos... O fato é que chegamos a reboque e na bagagem, já tínhamos a
1ª estória para contar.
Logo ganhamos
nosso 1º barco, um Pinguim, para dois irmãos. Naõ podia dar certo, na 1ª regata
que participamos, uma Escola Naval, xingando um a mãe do outro viramos na
frente de todos, de tanto brigar nas escolhas dos bordos, eram os prenúncios de
uma longa caminhada de desencontros...
Para a paz voltar
a reinar foi necessário a compra de um 3º barco para a família, o Pinguim Donando. Ao meu dei o nome de Suduka, em respeito a paixão
inconseqüente pelo vento que me forçava colocar o barco n’agua quando entrava a
frente fria, para ficar planando de través, velocidade máxima risco total em
frente ao morro da Viúva. Bons tempos, de fartura e insensatez.
Com os Sudukas que seguiram aprendi e aprendo o
jogo das regatas, do melhorar performance e minimizar erros.
Mas saindo de casa,
ainda na cidade natal, participava e aprendia nas varias escolas da vida, daí que,
por conta do esporte, horizontes se abriram e a busca de respostas no mundo se
tornou possível. Viajei então, para me afastar dos envolvimentos familiares que
às vezes toldam nossa visão, fui ao encontro do meu norte que achei depois de
oito meses de andanças e velejos por toda Europa. Em Lisboa, hospedado num
barco que havia ajudado a trazer da Inglaterra tive o encontro com o que me
parecia naquela época o futuro. Foi quando tracei meu rumo, escrevi em cartas
aos amigos que já podia voltar, pois compraria o Pacato, barco estágio necessário para o glorioso Rompemundo que um dia me prometia
acontecer.
Em parte assim foi,
parei as regatas e a bordo de um Dourado 27 pés, pacatamente construi
singraduras entre Buzios e Angra até que um dia por força maiores que se impuseram,
a família se formou, e o Pacato afundou na poita comido pelo abandono. Com isso
foi também o sonho de mundo afora. Do Rompemundo!!
Tempos
depois, filhos já meio crescidos, reacendeu
a chama, a necessidade do mar amado voltou ativar o corpo enfastiado da mesmice
das águas paradas. E ressurgiu o Suduka,
para o retorno ao aprendizado.Ao jogo das regatas.
Naturalmente, como que
por acaso, surgiu Sophos que a
principio apareceu como oportunidade de negocio, quando foi pesquisado o seu
significado etimológico para registro se revelou como o sábio que tenta
aprender com seus erros.
E la nave va...
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