domingo, 9 de maio de 2010

SobreNomes


Essa é a estória de algumas das escolhas de bordos, dos nomes que traçam destinos.
De Sudukas, Pacatos, e Rompemundos sonhados.
E pelo acaso maior determinado, Sophos por conseqüência.
Tudo começou com o Lala um 23 pés de madeira feito em 1962 na Ilha da Conceição, desenho estranho, que Mario meu pai, aviador experiente, mas  neófito no mar, em busca de novos horizontes, comprou em sociedade com o amigo Emilio. Surpreendeu  à mim, ao Nando e a caçula de três anos Lala, habituados que estávamos as coisas da serra, do sitio no Vale Florido em Petrópolis. Num repente, um novo mundo bateu na nossa porta.
Ou foi outra porta que se abriu... Só sei que entrei e joguei fora  a chave. Mergulhei profundo onde aprendi a respirar para não mais sair do meio.
No Lala praticávamos nos fins de semana o aprendizado que tínhamos a bordo do Ligthning do professor de vela do Iate, o  argentino Mario Van. 
O 1º perrengue aconteceu lógico na 1ª travessia, iniciando um aprendizado de duras penas que sigo  Sophrendo. O pai chegou de repente com a noticia- missão: havia comprado o barco e tínhamos que ir buscá-lo em Niterói. Ainda sem nome e sem qualquer expertise no assunto partimos; eu, Nando meu irmão, nosso pai e o sócio, para a Grande Aventura, de vela, sabíamos acende-las mas confiando no motor, partimos.
Tudo foi bem até que na altura da Gloria, (ainda não havia a Marina),  o motor deu pau ou  diesel acabou, não me lembro bem. Lembro que chegamos a reboque aprendendo as 1ªs lições; da solidariedade no mar, onde estamos sós, mas sempre bem acompanhados, pelo espírito que agrega os verdadeiros marinheiros, de não sair despreparado posto que o mar não perdoa erros e desatinos... O fato é que chegamos a reboque e na bagagem, já tínhamos a 1ª estória para contar.
Logo ganhamos nosso 1º barco, um Pinguim, para dois irmãos. Naõ podia dar certo, na 1ª regata que participamos, uma Escola Naval, xingando um a mãe do outro viramos na frente de todos, de tanto brigar nas escolhas dos bordos, eram os prenúncios de uma longa caminhada de desencontros...
Para a paz voltar a reinar foi necessário a compra de um 3º barco para a família, o Pinguim  Donando.  Ao meu dei o nome de Suduka, em respeito a  paixão inconseqüente pelo vento que me forçava colocar o barco n’agua quando entrava a frente fria, para ficar planando de través, velocidade máxima risco total em frente ao morro da Viúva. Bons tempos, de fartura e insensatez.
Com os Sudukas que seguiram aprendi e aprendo o jogo das regatas, do melhorar performance e minimizar erros.
Mas saindo de casa, ainda na cidade natal, participava e aprendia nas varias escolas da vida, daí que, por conta do esporte, horizontes se abriram e a busca de respostas no mundo se tornou possível. Viajei então, para me afastar dos envolvimentos familiares que às vezes toldam nossa visão, fui ao encontro do meu norte que achei depois de oito meses de andanças e velejos por toda Europa. Em Lisboa, hospedado num barco que havia ajudado a trazer da Inglaterra tive o encontro com o que me parecia naquela época o futuro. Foi quando tracei meu rumo, escrevi em cartas aos amigos que já podia voltar, pois compraria o Pacato, barco estágio necessário para o glorioso Rompemundo que um dia me prometia acontecer.
Em parte assim foi, parei as regatas e a bordo de um Dourado 27 pés, pacatamente construi singraduras entre Buzios e Angra até que um dia por força maiores que se impuseram, a família se formou, e o Pacato afundou na poita comido pelo abandono. Com isso foi também o sonho de mundo afora. Do Rompemundo!!
Tempos depois,  filhos já meio crescidos, reacendeu a chama, a necessidade do mar amado voltou ativar o corpo enfastiado da mesmice das águas paradas. E ressurgiu o Suduka, para o retorno ao aprendizado.Ao jogo das regatas.
Naturalmente, como que por acaso, surgiu Sophos que a principio apareceu como oportunidade de negocio, quando foi pesquisado o seu significado etimológico para registro se revelou como o sábio que tenta aprender com seus erros.
E la nave va...