Apreendendo e sofrendo na poita*.
O
passar do tempo é infatigável, pensava Sophos preso as suas amarras girando ao sabor das
rondadas do sudoeste, o vento das frentes frias
que de tempos em tempos castiga a cidade que abriga a poita, com
diferentes graus de intensidade.
Desta
vez foi pura furia, pois alem do tamanho
do pé d’água inundante veio como convidada inoportuna, uma ressaca de grandes e
previsíveis proporções.
O
quase caos vivenciei de perto. Surfei ondas abissais quase colado as bordas de
concreto da enseada. Se as amarras da poita não tivessem resististido e eu
fosse à garra, se um cabo soltasse ficaria ao sabor da natureza sem comando, e caso
desse costado alhures, poderia não estar aqui para contar essa e muitas das estórias entrecortadas que já ouvi do
acontecido, nos relatos dos barqueiros que passam próximos, indo e voltando das
pescarias e suas aventuras pessoais.
Esse
é o momento que tenho para agradecer a um dos meus atuais donos, o mais velho,
que realmente se preocupa comigo. Soube, de ouvir dizer, que ele estava aflito
no meio de uma aula, preocupado antes de acontecer (dos males da informação),
mas sabia que pouco havia a fazer a não ser confiar na previdência de já ter
feito um bom serviço.
Durante
os dias até tirava onda, pois todos ficavam a nos olhar na torcida para que
agüentássemos o tranco. Os mais preocupados, os donos de barcos apareceram
durante o período e foram visto roendo unhas e acendendo velas. Foram duas
noites sem descanso, tementes todos, sem saber se estávamos sendo vigiado no
caso de qualquer encrenca acontecer. A torcida era para o celular não tocar, para
não trazer noticia ruim.
Nem
precisava, foram tantas que se sucederam nos meios mais que nunca comunicativos,
tudo por conta dos desvios, do despreparo, da avalanche de incompetência que mataram incautos, vitimas
da imprevidência, do deixar rolar para ver como é que fica...E no final, sempre
fica mal!
Malfeito,
maldito feito.
Graça
as ocupações desregradas dos desassistidos cuja má sorte se evidenciou a custa de suas vidas, em mais um retrato
triste do que permitimos fazer ao meio ambiente que habitamos. É duro, mas é a
lei de talião, do olho por olho, dente
por dente, do aqui se faz aqui se paga. É a Natureza x Humanidade! Uns pagam com
a vida desperdiçada, outros com a culpa acumulada que restará na historia por
conta das incompetências havidas...
Tudo
se liga, é uma grande teia que se interconecta. As escolhas de rumo, que fazem
os homens e seus destinos . O como chegam é que revela a sabedoria de cada um dos
pontos dessa rede.
As
águas que rolam, não voltam, são sempre outras, mais ou menos previsíveis, elas
movem moinhos, arrastam lixo, derrubam casas, destroem sonhos.
É
inexorável, todos os rios correm para o mar.
Que tudo recolhe.
Nesse
mar navegamos, desviando dos obstáculos , evitando as turbulências possíveis .
A vida é o mar e o viver impreciso. Por garantia de um sono tranqüilo, prepare antes
uma boa poita. E fique atento as variações do tempo. Para se ter esperança é
necessário antes ter confiança no caminho feito!
Sophos, sempre em busca dos Bons Bordos...
*poita; substantivo feminino
1 Rubrica: termo de marinha.objeto pesado que faz as vezes de âncora em embarcações miúdas; pandulho
2 peso de ferro, chumbo ou pedra, utilizado no espinel; chumbado
3 pessoa indolente
Oi Mario! Bem-vindo a bordo do Tribuneiros e Seu Martin:-)
ResponderExcluirum beijo, Bruna