terça-feira, 16 de março de 2010

Durezas do aprendizado...


Domingo fui de Suduka,  com Valéria de proeira, já que o Zen Rumo permanece “parado para reformas”. Estava toda cheia de si pois tinha finalmente  aprendido a cambar na proa e repetia isso toda hora, orgulhosa ficava querendo se mostrar, ao mesmo tempo, toda revoltada de só ter apreendido agora...
Um intenso vento Norte soprava naquela hora da pré largada com direito a carnerinhos formados mais pela maré enchente, que contrária a brisa forte  de rajadas, encapelava o mar. Aguardávamos  estolados os procedimentos iniciais. Tudo acontecia embolado como sempre nas regatas comemorativas, varias classes  saindo junto na mesma raia mal orientada, pois quase se dava para ir na bóia de barlavento num bordo só. A atenção nessa hora da largada é primordial. Caso contrario, vai sair correndo atrás!!
Foi um festival de confusões avistadas pelo caminho e algumas cambadas em negativas úteis, só para se manter andando em pista livre.
No ultimo popa estávamos logo atrás dos ponteiros, no meio do bolo da frente, cambamos atrapalhados a  ultima bóia de sotavento para ir de contravento rumo a chegada, com o Paquetá do Praça fungando nos cangotes...Seguíamos rumo a linha de retranca a esquerda e mantínhamos a situação sob razoável controle, quando por gula, ansiedade ou ambição achei ter visto uma rajada entrando a barlavento, o Grande Erro do dia!!
Cambei na negativa,  largando os dois adversários que agradecidos  foram embora sem dizer adeus.... Direto rumo à linha de chegada.
Quando cambamos de volta já voltamos longe atrás, acima do lay line, então, foi aí que o menos experiente deles  veio dar um “confere”, cruzou  uns dez metros da nossa proa cambando no nosso través.
Foi a chance de recuperar ao menos uma das duas classificações perdidas, folgamos um pouco as velas e aceleramos por baixo. Foi o bastante, chegamos em quinto.
Assim, praticando e errando, aprendizados se assimilam, otimizam-se os percursos a serem percorridos.
E La Nave va...
Bons Ventos!!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Analogias básicas.







Disse o poeta, “Navegar é preciso, viver não é preciso!”
Um erro de observação, um caminho incerto, um atraso no percurso. É da vida!!
Diz-se que o jogo das regatas é onde ganha aquele que consegue errar menos, as falhas que acontecem e são corretamente assimiladas é o que fica; o aprendizado do dia!
No sábado Sophos partiu as 11:00 para regata de aniversario dos 90 anos do Iate com um casal de amigos, Julia  eterna proeira do Suduka, e Mateus, seu capitão-do-mato.
Partimos as 12:00  em ponto vociferando contra a decisão da CR em escolher o percurso 2,  sempre contra a maré e com vento fraco , ir até a Rasa e voltar a tempo de comer churrasco...
No meio de quase uma centena de barcos dos mais variados tamanhos e podere$, escolhemos uma saída cautelosa longe dos engarrafamentos das bóias, saindo com seguimento, pista livre rumo a barra pequena. Um vento Sul fraco predominava titubeante. A flotilha toda buscando saída pela barra pequena, buscamos sair no melhor ponto, protegidos da maré pela ilha da Laje e dando o bordo final quase encostado nas pedras, com retranca a direita.

Um barco solitário desprendeu-se de todos e atravessou saindo encostado a fortaleza do lado de Niterói. (Não é o da foto, bem entendido!)
 Sempre negociando com os demais, procuramos nos encostar para o lado do Pão de Açucar, foi que vimos pela 1ª vez nosso adversário direto entre os V23, o IntiRaimi, passou cruzando por traz. Esticou mais para dentro e quando voltou já estava na nossa frente. Esquentou o pega. O vento, um sul intranqüilo anunciava a rondada para leste já avistada ao longe naqueles barcos que saíram atrás daquele esperto solitário, em disparada para não mais serem alcançados. Foi a partir daí outra regata. Aqueles poucos que se jogaram mais a esquerda e a grande maioria que se arrastava junto a ilha de Cotunduba. Já tínhamos recuperado a posição de barlavento em relação ao “inimigo “ direto  quanto baixou a ansiedade, causa direta do Grande Erro do dia. Rumávamos mesma amuras em direção leste , retranca a esquerda,  num sul titubeante e de olho no leste que já tinha entrado para os mais espertos. O vento fraco aumentava a adrenalina da decisão e no primeiro bafo da  esperada rajada de leste, cambei  de volta para o buraco onde acabei afundando nossas pretensões na regata.

A partir daí foi mais o passeio de ir à Ilha Rasa com vento  de 12/13 nós  com direito a balão quase na entrada da barra, e a forte maré vazante retardando o avanço.


Chegamos as 17:25  os últimos antes da CR recolher ferros, na hora limite. Ainda havia bastantes barcos atrasados para o churrasco. Pelo esforço desprendido, meio mareados desistimos de ir a confraternização, onde esfomeados encontraríamos só aqueles que chegaram antes, por competência ou por esperta desistência dos conhecedores dos seus limites...

sexta-feira, 12 de março de 2010

Aconteceu...


Essa é uma  historia, com h, faz parte do curriculum do Sophos ainda no seu primeiro ano de vida conosco. Depois dessa muita água rolou, ainda que parado na poita. Alem da fabricação de um novo leme, um ano de ressaca passou aliado a um certo descaso, até que a vergonha de ver Sophos, juntando craca,  largado na poita falou mais forte, daí; novas velas, novo estaiamento, novas anteparas , janelas em execução e uma lista interminável de afazeres que vão sendo eliminados de acordo com a verba  e disposição encontrados.
Tudo começou com a proposta de corrermos a regata da FAB no Iate Clube Jardim Guanabara em outubro de 2008, válida pela copa interclubes, tendo entre outra, como classe convidada os oceanos/RGS.
Sophos partiu para a empreitada as 11:15 logo após tradicional mergulho de limpeza do casco para sua 1ª ida ao fundo da baía. A bordo meu filho Pedro e completando a tripula como reforço experiente, Adrian e Marissel.
Um vento S/SE  de cerca de 10 nós nos empurrava na direção certa com maré enchendo, na altura do Sts. Dumont, subimos o balão que encheu bonito para logo em seguida "desmanchar" dentro d'água. Havia soltado o “gato” da adriça...Recolhemos rápido a vela e ficamos nos olhando com cara de decepção...assim não daria pra correr a regata...a solução era pegar a adriça, lá na encapeladura  do estai de proa a uns sete metros do convés.
Sobrou pra mim pensei, quem manda querer correr todas...Arriamos a genoa, pedi um cabo grosso  dei dois lais-de-guia, um para adriça e outro para servir de alça, me encaixei, Marissel foi pro leme mantendo um rumo meio de través, Pedro no chicote  do cabo e Adrian na manicaca coordenando meu içamento. E lá fui eu com meus 85 kg, torcendo pra que tudo agüentasse. Subi me agarrando no mastro  como um desesperado  por causa das marolas das lanchas que saiam da marina...
Quando engatei o gato da adriça no meu nó e pedi pra arriarem com cuidado, foi que me dei conta do belo ponto de vista, pena que foi rápido, desci pra segurança  com as pernas rasgadas no joelho, o tornozelo frontal que enlaçava o mastro roxo e doído, e as ancas que recebiam o peso no cabo até agora, dois dias depois, ainda inspiram cuidados.
 Mas valeu, subimos de novo o balão (agora com lais-de-guia) aproamos rumo a largada no Jardim Guanabara  e eu estava feliz em ter mais uma estória para contar.
Tolo, esse era só o preâmbulo.
Chegando na área vento de 13/14 nós, muitos oceanos, poucos monotipos , representando o CRG  Moleque, Sudoeste e Lella e no meio deles a corajosa Valéria que estreava no Laser Radial, que toda atrapalhada  ainda soube nos  pedir um cabinho, pra amarrar a extensão do leme.
O vento de quadrante Sul aumentava, como não tínhamos genoa 2 achamos por bem velejar com a buja no contravento otimizando o desempenho do grande, no vento que mal conseguíamos escorar (350kg).Partimos no grupo 1 dos RGS,  deixando os companheiros V23 para uma outra...éramos o menor da turma mas chegamos no parcel das feiticeiras na frente de J24, ficamos animados. Mais ou menos,  pois já estávamos sendo alcançados pelo "turbinado " V23 Mixuruca que havia saído 5 minutos depois..
Logo o balão começou a enfraquecer e ficar difícil de sustentar,  nessa hora Wayan se aproximava ainda nas últimas rajadas de S. Distraído com a regata nos desligamos do negrume que se  formava a NW.  Ao  nos aproximarmos da bóia  já de genoa numa orça folgada e vento de proa aumentando   foi que  nos demos conta do excesso de vela, mas cambamos e descemos de popa céleres rumo a chegada.
Cruzamos e assustados demoramos a tomar as providências necessárias; colocar salva vidas, ir de cara pro vento, arriar velas, rizar o grande.
Com Adrian no leme, Pedro foi pra proa recolher genoa, eu na adriça, com o vento cada vez mais forte estava difícil de baixa-la, soltei o cabo e fui ajudar, o barco descia as ondas na maior pressão quando ouvi um grito, em seguida  o barco enterrou a proa e deitou de lado dando um mergulho de bico e logo retornando a horizontal, um verdadeiro cavalo-de-pau debaixo de um caju assustador, velas ao vento estraçalhando e eu sozinho, mais ninguém a bordo.
Olhei e vi Pedro n'agua agarrado a duas escotas e ao barco, catapultados,  Adrian a uns 5m, Marissel a 10m ambos se afastando cada vez mais a barlavento, vi que estavam bem, nadando e sempre fixando o olhar neles tratei de recolher a genoa para tentar  de grande retornar e resgatá-los. Quando consegui e fui pro leme foi que percebi o tamanho da encrenca. Aquele grito era "quebrou o leme", ou algo assim. (o eixo inox maciço de 5/8")
Não tinha mais margem para erros, nessa hora um lanchão passou a mil, eu com as grande rasgada, pulando, acenando por socorro apitando e ...nada, passou direto. Foi quando baixou um santo navegador, estranhamente calmo, com o céu em volta desabando, relâmpagos e rajadas de mais de 35 nós,  procurei a bóia retinida jogada no meio do caos formado e a lancei ao mar, tratei então de desencaralhar a ancora  e fui para proa com a 1ª compra q fiz quando compramos o barco,  ia ser estréia em noite de gala,  o ferro Bruce de 5Kg com três metros  de corrente e os 40m de cabo mostraram ao que vieram seguraram bonito  o tranco. Nó no cunho com rabicho preso ao mastro, por via das duvidas... O barco agora corcoveava afilado nas ondas de vento.  Escurecia. Longe a barlavento, mas alinhados, vi que os dois pontinhos se aproximavam, arriei só então o que restava do grande.
Depois foi o embarque dos resgatados, com um cabo improvisei uma escada na popa por onde um a um, gelados, mas salvos subiram de volta de onde nunca deveriam ter saído..
Foi um longo e emocionado abraço.
Depois foi celular em ação avisando e dando as coordenadas para resgate, desfazendo mal entendidos, "acalmando" a Lucia que a partir de então ficou aflita. Mas ainda faltava voltar, e isso foi outra estória com direito a resgate do resgate que pifou no meio da busca e o apoio solidário de dois pescadores de São Gonçalo , que numa traineirinha a remo nos auxiliaram a tirar a ancora agarrada no fundo e nos levaram até o Caramuru, o  apoio/resgate enguiçado. Chegamos tarde pro churrasco amarrados ao costado. Mas com certeza outros haverão, já que vamos ficar por lá um tempo para poder voltar velejando, como fomos.
Alem da estória ficaram as lições!! Básicas, de como estar sempre de salva vidas, de arriar velas de frente pro vento, de não se opor as tendências do leme brigando com a física...
No mais, foram-se leme e o grande, ficaram os dedos e o aprendizado.
Que não se repita.
Obrigado Papai do Céu.