segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Tocando o barco...


 E la nave va...

Sobre amigos e forças

O que me dá alegria.
É saber que ao final sempre contamos é com os amigos.
Aqueles de fé, que dão força, marcam presença.
Não aqueles oportunos, de interesses efêmeros que se esvaem como a fumaça no vento.
Aí me vem  a lembrança  uma dor guardada, recorrente; de não poder estar presente e me despedir como gostaria de um grande amigo, um irmão que partiu mais cedo. Carrego esse vazio, essa ausência de adeus...
Aconteceu há alguns anos, cheguei a ir à ante sala do quarto do hospital mas, por covardia ou medo e sentindo o peso da dor no rosto de  seus familiares, fugi chorando por dentro, carregando para o meu sempre sentimentos destroçados que explodem na memória.
E eu queria falar sobre festas, momentos feitos de arranjos que propiciam encontros e desencontros. Da alegria de chegar e não das tristezas das partidas.
Mas é aquela coisa que puxa  a outra como um longo macarrão sendo sugado boca adentro sem parar.
Poder confiar ao amigo um segredo, compartilhar um anseio, um sonho. Ou só em estar junto, lembrando um tempo que foi bom, mas passou.
Como não recordar um gesto de apoio como foi àquele marcante acontecido nos idos de 70...
Voltava de Angra com Marcio a bordo do Pacato  numa lestada que vencíamos velejando bem com a grande  e genoa em cima. Dado momento foi necessário fazer algo no mastro e lá fui eu entregando o leme ao amigo que sabia pouco das manhas de velejar. A tarefa era simples, o Pacato era bom marinheiro,  equilibrado,  fácil de levar, mas uma batida na onda de mau jeito quase fez com que aquilo que era um retorno tranqüilo se transformasse em tragédia.
Foi nessa hora que apareceu a mão do amigo que num reflexo, um impulso salvador, deu firmeza ao cabo de aço do guarda mancebo onde eu, desequilibrado, procurava me apoiar com a batata da perna, quase caindo borda afora pelo tranco acontecido.
Providencial, instintiva, salvadora, tanto que guardo na memória como símbolo do que uma mão  pode fazer na busca de um objetivo comum, queríamos chegar juntos, sem sufocos ao nosso porto seguro.
Assim as historias acontecem e se reinventam de outras formas.
A mais recente que aconteceu foi quando resolvemos buscar uma ajuda de solução para o clube onde freqüento, a casa onde repousam minhas naves que me levam as aventuras no mar.
Por freqüentar, procuro o melhor para ele.  Natural, para que fique agradável minha permanência no local onde reúnem-se amigos que suponho vivem a mesma questão. Afinal lá se constroem encontros, fortalecem-se laços,  ensina-se o que se tem e muito se aprende. É o local escolhido, onde fora da luta rotineira, procuramos para relaxar.
Em busca do seu fortalecimento como instituição uma solução óbvia se apresentou, explorar a sua ociosidade noturna nos espaços disponíveis para gerar recursos, empreitar  festas! Promover encontros!!
Aconteceu a 1ª, com a infra básica em teste, funcionou simples e objetiva mas longe do idealizado  pois deu para contar nos dedos de uma mão os sócios do clube, em tese os maiores interessados para que o evento desse certo.
Ainda bem que os amigos de “fora” vieram e na saída disseram:
Contem conosco na próxima.
Daí, acreditando nessa estrela guia, combinamos as próximas:  será sempre no 1º sábado do mês, a começar por outubro.






terça-feira, 20 de julho de 2010

111 anos do Guanabara



Aconteceu...
Apesar do mau tempo não contribuir para motivar a galera, quem foi se divertiu.
No sábado os monotipos; mar grande, vento sul/sueste favorecendo quem “achasse” ou se encontrasse com ele primeiro, aliás, como sempre...
Saída conjunta é uma M&*#@!!!
Suduka piscou e   foi apagado por um improvável Finn, daí que ficamos amargando uma sombra muy  amiga,  ficando cada vez mais para trás do pelotão dos Snipes...enquanto isso Zen Rumo escapava numa orça solitária para achar a 1ª rajada e abrir grande vantagem. Na hora teve gente que querendo dar uma de polvo Paul, prognosticou: “Essa a Valéria  já ganhou...” 
Como regata só se ganha quando se cruza a linha, Mareio veio aos poucos , mansamente, e antes de chegar na bóia do canal já cambava na frente da flotilha, ZR logo atrás. Com Saci fungando no cangote, correram juntos por baixo acompanhando Mareio em direção ao Morro da Viúva. Atrás Vô Tão do Camaradinha tendo Ana na proa tentava de tudo para recuperar o atraso, tentou até ir por fora da barra para pegar onda na barra pequena, mas nada ganhou, ficou brigando com Suduka mais perto da Urca,  no bordo do desespero conferindo a toda hora se havia lixo no leme a espera da rajada vencedora entrar e descer na hora certa  tentando a sorte, daí que estávamos de emparelhados empacamos num buraco de vento enquanto víamos lentamente  os ponteiros  mais a sota pegar a rajada 1º e  irem embora novamente.  Acabou prevalecendo o resultado da 1ª bóia.
O resultado?! Prefiro não comentar...Mas o evento foi legal!!
Valeu Mareio,  Dingue Bell e Laborare est orare, que vieram de Niterói prestigiar a regata e ganhar preciosos pontos para o CNC nas suas classe para a Copa Interclubes.
Domingo foi o dia dos Optimist e dos Sub 24. Com o tempo um pouco melhor, suficiente para vencer a preguiça e encarar o frio daí,  mais barcos!
Foram treze oceanos e os quase 30 Optimists enchendo de velas a enseada transformada em palco com cenário de postal.
Apesar de saber do Sophos estar travado pelo casco sujo, fui convencido pela tripulação  a não pular para raspar e como estava frio e a água imunda,  não insisti,  me resignei a sermos só um participante - espectador. Percebi porem durante o percurso que  Sophos resmungou em surdina o tempo todo, mas educado não deixou transparecer.
A saída novamente conjunta serviu para acirrar ainda mais a competitividade  já que tínhamos representantes das principais classes de Sub 24  vindos de Niterói e da Ilha.
Depois do retardamento hasteado para esperar a chegada das velas que víamos na boca da barra, foi finalmente dado inicio as 13:30 aos procedimentos de largada,   cancelada na hora da saída. A chamada geral surpreendeu a todos, provavelmente por a CR ter visto uma tartaruga atravessando a raia, sei lá,  ou eles estavam querendo ensaiar a flotilha, acho!

Nova saída , faltando uns 30 segundos e bem posicionados  junto a comissão, estávamos  prontos para fazer bonito ao menos na foto da largada. Foi quando vimos por barlavento entrando de paraquedista, de traves entre nós e a CR  um BRA 23...Como anfitriões  e sabedores da pouca competitividade do Sophos nesse dia, cavalheirescamente abrimos espaço arribando em cima do Tala da Escola de Vela do clube deixando a professora Rosane e seus alunos de olhos esbugalhados, o mesmo com Rafael e Hugo,  nossos dois tripulantes convidados. Foi, para nós do Sophos, a única emoção  forte de  regata. Assim que o paraquedista cambou, fomos atrás  de pista livre para acompanhar de longe a flotilha que se dividiu entre o inalcançável  líder que se foi  com seu balão de través forçado e seus  perseguidores, o bolo do meio disputando enquanto nós víamos tudo a distancia, sem grandes emoções a não ser da velejada gostosa e o aprendizado para os estreantes.
Estava sendo um passeio  tranqüilo até a hora que ouvimos um estrondo. Nada víamos, mas escutávamos a seqüência de batidas menores no casco como se algo estivesse rolando  no fundo, até que de repente subiu a peça  quase inteira...Havíamos batido numa enorme tora submersa. Por sorte não estávamos no nosso melhor desempenho, com o casco sujo nos arrastávamos. Foi,  para os alunos participantes do projeto Baía Nossa de Guanabara, uma apresentação bem real das ”surpresas” que podemos encontrar nesse navegar em águas tão poluídas onde  nem o vulto enorme da tora  deu para enxergar e que  pela porrada,  podia ter  furado o casco. A construção antiga com reserva técnica de segurança garantiu o tranco.
Chegamos à poita suave como havíamos partido, mais uma vez levando o motor para passear.
E os novos iniciados com outras  histórias para contar, de diferentes pontos de vista, a dos embarcados.
Bons Bordos!



domingo, 9 de maio de 2010

SobreNomes


Essa é a estória de algumas das escolhas de bordos, dos nomes que traçam destinos.
De Sudukas, Pacatos, e Rompemundos sonhados.
E pelo acaso maior determinado, Sophos por conseqüência.
Tudo começou com o Lala um 23 pés de madeira feito em 1962 na Ilha da Conceição, desenho estranho, que Mario meu pai, aviador experiente, mas  neófito no mar, em busca de novos horizontes, comprou em sociedade com o amigo Emilio. Surpreendeu  à mim, ao Nando e a caçula de três anos Lala, habituados que estávamos as coisas da serra, do sitio no Vale Florido em Petrópolis. Num repente, um novo mundo bateu na nossa porta.
Ou foi outra porta que se abriu... Só sei que entrei e joguei fora  a chave. Mergulhei profundo onde aprendi a respirar para não mais sair do meio.
No Lala praticávamos nos fins de semana o aprendizado que tínhamos a bordo do Ligthning do professor de vela do Iate, o  argentino Mario Van. 
O 1º perrengue aconteceu lógico na 1ª travessia, iniciando um aprendizado de duras penas que sigo  Sophrendo. O pai chegou de repente com a noticia- missão: havia comprado o barco e tínhamos que ir buscá-lo em Niterói. Ainda sem nome e sem qualquer expertise no assunto partimos; eu, Nando meu irmão, nosso pai e o sócio, para a Grande Aventura, de vela, sabíamos acende-las mas confiando no motor, partimos.
Tudo foi bem até que na altura da Gloria, (ainda não havia a Marina),  o motor deu pau ou  diesel acabou, não me lembro bem. Lembro que chegamos a reboque aprendendo as 1ªs lições; da solidariedade no mar, onde estamos sós, mas sempre bem acompanhados, pelo espírito que agrega os verdadeiros marinheiros, de não sair despreparado posto que o mar não perdoa erros e desatinos... O fato é que chegamos a reboque e na bagagem, já tínhamos a 1ª estória para contar.
Logo ganhamos nosso 1º barco, um Pinguim, para dois irmãos. Naõ podia dar certo, na 1ª regata que participamos, uma Escola Naval, xingando um a mãe do outro viramos na frente de todos, de tanto brigar nas escolhas dos bordos, eram os prenúncios de uma longa caminhada de desencontros...
Para a paz voltar a reinar foi necessário a compra de um 3º barco para a família, o Pinguim  Donando.  Ao meu dei o nome de Suduka, em respeito a  paixão inconseqüente pelo vento que me forçava colocar o barco n’agua quando entrava a frente fria, para ficar planando de través, velocidade máxima risco total em frente ao morro da Viúva. Bons tempos, de fartura e insensatez.
Com os Sudukas que seguiram aprendi e aprendo o jogo das regatas, do melhorar performance e minimizar erros.
Mas saindo de casa, ainda na cidade natal, participava e aprendia nas varias escolas da vida, daí que, por conta do esporte, horizontes se abriram e a busca de respostas no mundo se tornou possível. Viajei então, para me afastar dos envolvimentos familiares que às vezes toldam nossa visão, fui ao encontro do meu norte que achei depois de oito meses de andanças e velejos por toda Europa. Em Lisboa, hospedado num barco que havia ajudado a trazer da Inglaterra tive o encontro com o que me parecia naquela época o futuro. Foi quando tracei meu rumo, escrevi em cartas aos amigos que já podia voltar, pois compraria o Pacato, barco estágio necessário para o glorioso Rompemundo que um dia me prometia acontecer.
Em parte assim foi, parei as regatas e a bordo de um Dourado 27 pés, pacatamente construi singraduras entre Buzios e Angra até que um dia por força maiores que se impuseram, a família se formou, e o Pacato afundou na poita comido pelo abandono. Com isso foi também o sonho de mundo afora. Do Rompemundo!!
Tempos depois,  filhos já meio crescidos, reacendeu a chama, a necessidade do mar amado voltou ativar o corpo enfastiado da mesmice das águas paradas. E ressurgiu o Suduka, para o retorno ao aprendizado.Ao jogo das regatas.
Naturalmente, como que por acaso, surgiu Sophos que a principio apareceu como oportunidade de negocio, quando foi pesquisado o seu significado etimológico para registro se revelou como o sábio que tenta aprender com seus erros.
E la nave va...

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Reporter por um dia...

Como esse espaço passou a ser das manifestações do Sophos, me achei na obrigação de transcrever a mensagem que postei no grupo de Vela-RJ, do qual faço parte e que gerou uma serie de respostas ao apelo, das quais repasso os links que surgiram junto. Espero que entendam!


Bom dia!!
Hoje acordei de um jeito estranho, isso sempre acontece quando tenho noite mal dormida... 
Foi o Sophos reclamando...e como ele reclamou!!
Ele de vez em quando aparece no meio dos sonhos para me passar recados e dicas, dessa vez foi só reclamação. 
Primeiro dizendo ter sido iludido, de eu ter criado falsas expectativas....
- Ele bem sabe que não é verdade, mas gosta de reclamar, parece até alguem que conheço bem...Ele já sabe que minha preferência é por correr de Suduka, seu alter ego competivo, o seu rival  Snipe. Nunca o enganei, ele é que se iludiu imaginando que com todos os tratos a ele dispensado nas vésperas do estadual de Veleiros 23 eu não iria deixa-lo preso na poita enquanto as regatas aconteciam lá em Niterói. Mas a infeliz coincidência de datas do calendário me forçaram a isso. Tentei justificar argumentando que mesmo que quisesse, ele havia perdido todas as talas na ultima regata de vento um pouco mais forte que participamos. Não adiantou!! Mais reclamações aconteceram pelo fato de ter postado a ultima msg aqui nessa lista pedindo noticias dos Dingues e esquecendo dos seus "primos" no estadual da classe.
Assim logo que acordei vim aqui tentar me redimir, corrigindo o esquecimento de um velho navegante quando escreve de barriga cheia de carnes e cervejas: 
Por favor amigos, salvem minhas próximas noites, escrevam sobre o estadual de V23, e de quebra também sobre os R22,   Bra 23 ,  V22 . E lógico os causadores dessa ciumeira toda, os Dingues .
Dêem dicas do caminho para ver as sumulas...
Sejam repórteres por um dia!!
[ ]s e tomara que tenha vento, bons ventos...
MarioEugenio

fotos:

e videos
25/04/3020

21/04/2010
  fotos do Estadual de Dingue


quarta-feira, 28 de abril de 2010

Sophrendo na Poita




Apreendendo e sofrendo na poita*.

O passar do tempo é infatigável, pensava Sophos  preso as suas amarras girando ao sabor das rondadas do sudoeste, o vento das frentes frias  que de tempos em tempos castiga a cidade que abriga a poita, com diferentes graus de intensidade.
Desta vez foi pura furia, pois alem do  tamanho do pé d’água inundante veio como convidada inoportuna, uma ressaca de grandes e previsíveis proporções.
O quase caos vivenciei de perto. Surfei  ondas abissais quase colado as bordas de concreto da enseada. Se as amarras da poita não tivessem resististido e eu fosse à garra, se um cabo soltasse ficaria ao sabor da natureza sem comando, e caso desse costado alhures, poderia não estar aqui para contar essa e muitas  das estórias entrecortadas que já ouvi do acontecido, nos relatos dos barqueiros que passam próximos, indo e voltando das pescarias e suas aventuras pessoais.
Esse é o momento que tenho para agradecer a um dos meus atuais donos, o mais velho, que realmente se preocupa comigo. Soube, de ouvir dizer, que ele estava aflito no meio de uma aula, preocupado antes de acontecer (dos males da informação), mas sabia que pouco havia a fazer a não ser confiar na previdência de já ter feito um bom serviço.
Durante os dias até tirava onda, pois todos ficavam a nos olhar na torcida para que agüentássemos o tranco. Os mais preocupados, os donos de barcos apareceram durante o período e foram visto roendo unhas e acendendo velas. Foram duas noites sem descanso, tementes todos, sem saber se estávamos sendo vigiado no caso de qualquer encrenca acontecer. A torcida era para o celular não tocar, para não trazer noticia ruim.
Nem precisava, foram tantas que se sucederam nos meios mais que nunca comunicativos, tudo por conta dos desvios, do despreparo, da avalanche de  incompetência que mataram incautos, vitimas da imprevidência, do deixar rolar para ver como é que fica...E no final, sempre fica mal!
Malfeito, maldito feito.
Graça as ocupações desregradas dos desassistidos cuja má sorte se  evidenciou a custa de suas vidas, em mais um retrato triste do que permitimos fazer ao meio ambiente que habitamos. É duro, mas é a lei de talião, do  olho por olho, dente por dente, do aqui se faz aqui se paga. É a Natureza x Humanidade! Uns pagam com a vida desperdiçada, outros com a culpa acumulada que restará na historia por conta das incompetências havidas...
Tudo se liga, é uma grande teia que se interconecta. As escolhas de rumo, que fazem os homens e seus destinos . O como chegam é que revela a sabedoria de cada um dos pontos dessa rede.
As águas que rolam, não voltam, são sempre outras, mais ou menos previsíveis, elas movem moinhos, arrastam lixo, derrubam casas, destroem sonhos.
É inexorável, todos os rios correm para o mar.  Que  tudo recolhe.
Nesse mar navegamos, desviando dos obstáculos , evitando as turbulências possíveis . A vida é o mar e o viver impreciso. Por garantia de um sono tranqüilo, prepare antes uma boa poita. E fique atento as variações do tempo. Para se ter esperança é necessário antes ter confiança no caminho feito!


Sophos, sempre em busca dos Bons Bordos...




*poita; substantivo feminino 
1 Rubrica: termo de marinha.objeto pesado que faz as vezes de âncora em embarcações miúdas; pandulho
2 peso de ferro, chumbo ou pedra, utilizado no espinel; chumbado
3 pessoa indolente








terça-feira, 16 de março de 2010

Durezas do aprendizado...


Domingo fui de Suduka,  com Valéria de proeira, já que o Zen Rumo permanece “parado para reformas”. Estava toda cheia de si pois tinha finalmente  aprendido a cambar na proa e repetia isso toda hora, orgulhosa ficava querendo se mostrar, ao mesmo tempo, toda revoltada de só ter apreendido agora...
Um intenso vento Norte soprava naquela hora da pré largada com direito a carnerinhos formados mais pela maré enchente, que contrária a brisa forte  de rajadas, encapelava o mar. Aguardávamos  estolados os procedimentos iniciais. Tudo acontecia embolado como sempre nas regatas comemorativas, varias classes  saindo junto na mesma raia mal orientada, pois quase se dava para ir na bóia de barlavento num bordo só. A atenção nessa hora da largada é primordial. Caso contrario, vai sair correndo atrás!!
Foi um festival de confusões avistadas pelo caminho e algumas cambadas em negativas úteis, só para se manter andando em pista livre.
No ultimo popa estávamos logo atrás dos ponteiros, no meio do bolo da frente, cambamos atrapalhados a  ultima bóia de sotavento para ir de contravento rumo a chegada, com o Paquetá do Praça fungando nos cangotes...Seguíamos rumo a linha de retranca a esquerda e mantínhamos a situação sob razoável controle, quando por gula, ansiedade ou ambição achei ter visto uma rajada entrando a barlavento, o Grande Erro do dia!!
Cambei na negativa,  largando os dois adversários que agradecidos  foram embora sem dizer adeus.... Direto rumo à linha de chegada.
Quando cambamos de volta já voltamos longe atrás, acima do lay line, então, foi aí que o menos experiente deles  veio dar um “confere”, cruzou  uns dez metros da nossa proa cambando no nosso través.
Foi a chance de recuperar ao menos uma das duas classificações perdidas, folgamos um pouco as velas e aceleramos por baixo. Foi o bastante, chegamos em quinto.
Assim, praticando e errando, aprendizados se assimilam, otimizam-se os percursos a serem percorridos.
E La Nave va...
Bons Ventos!!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Analogias básicas.







Disse o poeta, “Navegar é preciso, viver não é preciso!”
Um erro de observação, um caminho incerto, um atraso no percurso. É da vida!!
Diz-se que o jogo das regatas é onde ganha aquele que consegue errar menos, as falhas que acontecem e são corretamente assimiladas é o que fica; o aprendizado do dia!
No sábado Sophos partiu as 11:00 para regata de aniversario dos 90 anos do Iate com um casal de amigos, Julia  eterna proeira do Suduka, e Mateus, seu capitão-do-mato.
Partimos as 12:00  em ponto vociferando contra a decisão da CR em escolher o percurso 2,  sempre contra a maré e com vento fraco , ir até a Rasa e voltar a tempo de comer churrasco...
No meio de quase uma centena de barcos dos mais variados tamanhos e podere$, escolhemos uma saída cautelosa longe dos engarrafamentos das bóias, saindo com seguimento, pista livre rumo a barra pequena. Um vento Sul fraco predominava titubeante. A flotilha toda buscando saída pela barra pequena, buscamos sair no melhor ponto, protegidos da maré pela ilha da Laje e dando o bordo final quase encostado nas pedras, com retranca a direita.

Um barco solitário desprendeu-se de todos e atravessou saindo encostado a fortaleza do lado de Niterói. (Não é o da foto, bem entendido!)
 Sempre negociando com os demais, procuramos nos encostar para o lado do Pão de Açucar, foi que vimos pela 1ª vez nosso adversário direto entre os V23, o IntiRaimi, passou cruzando por traz. Esticou mais para dentro e quando voltou já estava na nossa frente. Esquentou o pega. O vento, um sul intranqüilo anunciava a rondada para leste já avistada ao longe naqueles barcos que saíram atrás daquele esperto solitário, em disparada para não mais serem alcançados. Foi a partir daí outra regata. Aqueles poucos que se jogaram mais a esquerda e a grande maioria que se arrastava junto a ilha de Cotunduba. Já tínhamos recuperado a posição de barlavento em relação ao “inimigo “ direto  quanto baixou a ansiedade, causa direta do Grande Erro do dia. Rumávamos mesma amuras em direção leste , retranca a esquerda,  num sul titubeante e de olho no leste que já tinha entrado para os mais espertos. O vento fraco aumentava a adrenalina da decisão e no primeiro bafo da  esperada rajada de leste, cambei  de volta para o buraco onde acabei afundando nossas pretensões na regata.

A partir daí foi mais o passeio de ir à Ilha Rasa com vento  de 12/13 nós  com direito a balão quase na entrada da barra, e a forte maré vazante retardando o avanço.


Chegamos as 17:25  os últimos antes da CR recolher ferros, na hora limite. Ainda havia bastantes barcos atrasados para o churrasco. Pelo esforço desprendido, meio mareados desistimos de ir a confraternização, onde esfomeados encontraríamos só aqueles que chegaram antes, por competência ou por esperta desistência dos conhecedores dos seus limites...

sexta-feira, 12 de março de 2010

Aconteceu...


Essa é uma  historia, com h, faz parte do curriculum do Sophos ainda no seu primeiro ano de vida conosco. Depois dessa muita água rolou, ainda que parado na poita. Alem da fabricação de um novo leme, um ano de ressaca passou aliado a um certo descaso, até que a vergonha de ver Sophos, juntando craca,  largado na poita falou mais forte, daí; novas velas, novo estaiamento, novas anteparas , janelas em execução e uma lista interminável de afazeres que vão sendo eliminados de acordo com a verba  e disposição encontrados.
Tudo começou com a proposta de corrermos a regata da FAB no Iate Clube Jardim Guanabara em outubro de 2008, válida pela copa interclubes, tendo entre outra, como classe convidada os oceanos/RGS.
Sophos partiu para a empreitada as 11:15 logo após tradicional mergulho de limpeza do casco para sua 1ª ida ao fundo da baía. A bordo meu filho Pedro e completando a tripula como reforço experiente, Adrian e Marissel.
Um vento S/SE  de cerca de 10 nós nos empurrava na direção certa com maré enchendo, na altura do Sts. Dumont, subimos o balão que encheu bonito para logo em seguida "desmanchar" dentro d'água. Havia soltado o “gato” da adriça...Recolhemos rápido a vela e ficamos nos olhando com cara de decepção...assim não daria pra correr a regata...a solução era pegar a adriça, lá na encapeladura  do estai de proa a uns sete metros do convés.
Sobrou pra mim pensei, quem manda querer correr todas...Arriamos a genoa, pedi um cabo grosso  dei dois lais-de-guia, um para adriça e outro para servir de alça, me encaixei, Marissel foi pro leme mantendo um rumo meio de través, Pedro no chicote  do cabo e Adrian na manicaca coordenando meu içamento. E lá fui eu com meus 85 kg, torcendo pra que tudo agüentasse. Subi me agarrando no mastro  como um desesperado  por causa das marolas das lanchas que saiam da marina...
Quando engatei o gato da adriça no meu nó e pedi pra arriarem com cuidado, foi que me dei conta do belo ponto de vista, pena que foi rápido, desci pra segurança  com as pernas rasgadas no joelho, o tornozelo frontal que enlaçava o mastro roxo e doído, e as ancas que recebiam o peso no cabo até agora, dois dias depois, ainda inspiram cuidados.
 Mas valeu, subimos de novo o balão (agora com lais-de-guia) aproamos rumo a largada no Jardim Guanabara  e eu estava feliz em ter mais uma estória para contar.
Tolo, esse era só o preâmbulo.
Chegando na área vento de 13/14 nós, muitos oceanos, poucos monotipos , representando o CRG  Moleque, Sudoeste e Lella e no meio deles a corajosa Valéria que estreava no Laser Radial, que toda atrapalhada  ainda soube nos  pedir um cabinho, pra amarrar a extensão do leme.
O vento de quadrante Sul aumentava, como não tínhamos genoa 2 achamos por bem velejar com a buja no contravento otimizando o desempenho do grande, no vento que mal conseguíamos escorar (350kg).Partimos no grupo 1 dos RGS,  deixando os companheiros V23 para uma outra...éramos o menor da turma mas chegamos no parcel das feiticeiras na frente de J24, ficamos animados. Mais ou menos,  pois já estávamos sendo alcançados pelo "turbinado " V23 Mixuruca que havia saído 5 minutos depois..
Logo o balão começou a enfraquecer e ficar difícil de sustentar,  nessa hora Wayan se aproximava ainda nas últimas rajadas de S. Distraído com a regata nos desligamos do negrume que se  formava a NW.  Ao  nos aproximarmos da bóia  já de genoa numa orça folgada e vento de proa aumentando   foi que  nos demos conta do excesso de vela, mas cambamos e descemos de popa céleres rumo a chegada.
Cruzamos e assustados demoramos a tomar as providências necessárias; colocar salva vidas, ir de cara pro vento, arriar velas, rizar o grande.
Com Adrian no leme, Pedro foi pra proa recolher genoa, eu na adriça, com o vento cada vez mais forte estava difícil de baixa-la, soltei o cabo e fui ajudar, o barco descia as ondas na maior pressão quando ouvi um grito, em seguida  o barco enterrou a proa e deitou de lado dando um mergulho de bico e logo retornando a horizontal, um verdadeiro cavalo-de-pau debaixo de um caju assustador, velas ao vento estraçalhando e eu sozinho, mais ninguém a bordo.
Olhei e vi Pedro n'agua agarrado a duas escotas e ao barco, catapultados,  Adrian a uns 5m, Marissel a 10m ambos se afastando cada vez mais a barlavento, vi que estavam bem, nadando e sempre fixando o olhar neles tratei de recolher a genoa para tentar  de grande retornar e resgatá-los. Quando consegui e fui pro leme foi que percebi o tamanho da encrenca. Aquele grito era "quebrou o leme", ou algo assim. (o eixo inox maciço de 5/8")
Não tinha mais margem para erros, nessa hora um lanchão passou a mil, eu com as grande rasgada, pulando, acenando por socorro apitando e ...nada, passou direto. Foi quando baixou um santo navegador, estranhamente calmo, com o céu em volta desabando, relâmpagos e rajadas de mais de 35 nós,  procurei a bóia retinida jogada no meio do caos formado e a lancei ao mar, tratei então de desencaralhar a ancora  e fui para proa com a 1ª compra q fiz quando compramos o barco,  ia ser estréia em noite de gala,  o ferro Bruce de 5Kg com três metros  de corrente e os 40m de cabo mostraram ao que vieram seguraram bonito  o tranco. Nó no cunho com rabicho preso ao mastro, por via das duvidas... O barco agora corcoveava afilado nas ondas de vento.  Escurecia. Longe a barlavento, mas alinhados, vi que os dois pontinhos se aproximavam, arriei só então o que restava do grande.
Depois foi o embarque dos resgatados, com um cabo improvisei uma escada na popa por onde um a um, gelados, mas salvos subiram de volta de onde nunca deveriam ter saído..
Foi um longo e emocionado abraço.
Depois foi celular em ação avisando e dando as coordenadas para resgate, desfazendo mal entendidos, "acalmando" a Lucia que a partir de então ficou aflita. Mas ainda faltava voltar, e isso foi outra estória com direito a resgate do resgate que pifou no meio da busca e o apoio solidário de dois pescadores de São Gonçalo , que numa traineirinha a remo nos auxiliaram a tirar a ancora agarrada no fundo e nos levaram até o Caramuru, o  apoio/resgate enguiçado. Chegamos tarde pro churrasco amarrados ao costado. Mas com certeza outros haverão, já que vamos ficar por lá um tempo para poder voltar velejando, como fomos.
Alem da estória ficaram as lições!! Básicas, de como estar sempre de salva vidas, de arriar velas de frente pro vento, de não se opor as tendências do leme brigando com a física...
No mais, foram-se leme e o grande, ficaram os dedos e o aprendizado.
Que não se repita.
Obrigado Papai do Céu.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Contar e recomeçar







“O que se leva da vida, é a vida que se leva” gostava de repetir o saudoso Mauricio, cheio de razão.
Aproveito as bênçãos recebidas para viver o tempo que me resta tentando fazer o que me dá prazer, mas que por conta das responsabilidades que a vida nos impõe, negligenciamos. 
Curtir, a solução para uma caminhada feliz.
Curtir no sentido amplo da palavra, de fazer o que se gosta, de êxtase, de calejar, de enrijecer, desfrutar, de gozar na cara, com o(a) cara... 
Velejo pelo prazer do exercício constante de ficar atento, observar as variações da natureza, de saber aonde e como ir, de ter a sabedoria de me adaptar à situação naquele instante preciso.
Se, por desvios do caminho, por momentos me afasto do rumo, com certeza é por que era para ser naquele instante, são os desígnios do tempo.Um bafo quente, uma rajada negativa que te pega distraído e ameaça virar o barco. Só isso.
No mais, é a procura do bordo positivo, aquele que vai levar mais próximo do objetivo.
Assim, para poder distribuir essa benção resolvi divulgar a vontade do sábio Sophos de não ficar parado, sair da poita para se exercitar e se tratar da saúde. Convidar os amigos a participar dessa empreitada foi o passo natural, por sugestão do amigo Fernando (sempre eles...) surgiu esse blog.
O que seria só um cartão de apresentação incorporou um outro tipo de exercício necessário, de comunicar não só os relatos das peripécias havidas, como também ser o palanque das indignações sofridas.
Será a contribuição de um navegante errante à procura do seu rumo, pois como já dizia Sêneca no século III aC, “Não há vento favorável para aquele que não sabe aonde ir!”
Para se ter direção é necessário manter o seguimento.
Desculpem o transtorno, essa é mais uma obra em andamento.
Bons Ventos






segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010


Sophos, Pedro e eu, proa na ponte, velejando em um NE de 12 nós... Sophos, Pedro and me, heading the bridge, sailing a NE 12 knots